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Direitos Humanos

26/10/2018




CRPRS debate racismo na psicoterapia  

O racismo na psicoterapia foi tema de debate no ciclo “O racismo tem dessas coisas” realizado na quinta-feira, 25/10, na sede do CRPRS, em Porto Alegre. A atividade foi promovida pelo Núcleo de Relações Raciais e mediada pela psicóloga Dóris Soares, integrante do Núcleo.

Representando a Comissão de Psicoterapia, o coordenador da Área Técnica do CRPRS, Lucio Fernando Garcia, participou da abertura do evento destacando a importância do tema para a Psicologia, principalmente considerando que ainda há uma lacuna na formação das/os psicólogas/os com relação a questões raciais. “Não falar sobre racismo pode aumentar a sensação de que ele não é um problema e um fator de risco para a saúde mental. Discussões como essa são fundamentais para uma Psicologia ética e comprometida socialmente. É preciso discutir e pensar em estratégias assertivas para compreensão e enfrentamento do racismo”, afirmou Lucio.

A psicóloga psicoterapeuta Maria Luísa Pereira de Oliveira, mestre em Saúde Coletiva, com especialização em Psicologia Clínica, Violência Doméstica e Ética e Educação em Direitos Humanos, iniciou a atividade resgatando questões do tempo de sua formação. Foi por meio de uma aproximação com movimentos sociais que Maria Luísa conseguiu trabalhar com temas ligados a relações raciais e questões de gênero, já que, na época, a universidade não possibilitava o estudo dessas questões. “A minha inserção nesse ativismo permitiu a resignificação de meu fazer profissional”. Em sua dissertação de mestrado, buscou compreender os efeitos da discriminação racial na identidade e subjetividade de mulheres negras atendidas no programa SOS Racismo/Porto Alegre/RS. A intervenção produziu efeitos políticos de reflexão e mudança, na medida em que o grupo construiu novos sentidos para as violências sofridas, transformando a narrativa pessoal em uma denúncia pública.

A necessidade de criação de espaços específicos para uma escuta terapêutica de pessoas cujo sofrimento psíquico está transversalizado por violências racial, de gênero e sexualidade foi apresentada pela psicóloga Miriam Cristiane Alves, doutora em Psicologia, professora adjunta do Curso de Psicologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas É'LÉÉKO - Agenciamentos Epistêmicos Antirracistas De(s)coloniais, do Curso de Psicologia da UFPel. Miriam falou sobre o Grupo terapêutico "Diz Aí! Conversando sobre Raça, Gênero, Sexualidade e Raça" da Universidade Federal de Pelotas. Miriam apresentou conceitos teóricos relacionados ao colonialismo do poder, racismo e sexismo epistêmico, privilégio epistêmico. “A sociedade é estruturada a partir de uma construção colonial, eurocêntrica e a psicoterapia reproduz isso. Precisamos criar fissuras e romper com a pretensiosa ideia do conhecimento universal nas diferentes áreas do conhecimento, em especial na Psicologia, que tem sua origem no dito centro do mundo: a Europa. Não pode haver um pensamento universal, todo o conhecimento é local. Mas certos pensamentos aspiram se constituir como universais. Então quando existe um pensamento que se pretende universal, existe um humano universal e o Outro”, considera Miriam.

A psicóloga clínica e comunitária Kátia Adriane Rodrigues Ferreira, mestre em Ciências Médicas, especialista em Clínica e Psicoterapia Junguiana, reforçou essa necessidade de desconstruir uma cultura universalidade e ampliar o acesso à psicoterapia aos negros. “O racismo ainda não é visto como uma questão a ser trabalhada pelos psicanalistas e, com isso, não há espaço para se falar sobre essa questão como algo que promova sofrimento”. A necessidade de se desenvolver uma escuta para a violência racista deve ser trabalhada por todos, psicólogos negros e psicólogos brancos.

A atividade teve transmissão online pela página do CRPRS no Facebook.

O ciclo de debates “O racismo tem dessas coisas” é aberto ao público em geral e sempre acontece no auditório do CRPRS (Av. Protásio Alves, 2854/4º andar), das 18h às 21h. A próxima edição será em novembro, no dia 29/11, com o debate sobre racismo nas políticas públicas.   

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