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Dia da/o Psicóloga/o

21/08/2017




Evento discute a atuação da/o psicóloga/o na Psicoterapia  

Discutir questões relacionadas à atuação da/o psicóloga/o na área da Psicoterapia foi o objetivo do seminário “A atuação da/o psicóloga/o em Psicoterapia: reflexões e desafios”, realizado no sábado, 19/08, das 9h às 15h, no Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa do Estado, em Porto Alegre. A atividade, promovida pelo Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul, por meio da Comissão de Psicoterapia, reuniu mais de 200 psicólogas/os e estudantes.

  • Assista aos vídeos com a íntegra do evento, que foi transmitido online:
    Primeira parte: Facebook • YouTube | Segunda parte: Facebook • YouTube

 

Na mesa de abertura, a conselheira Silvana de Oliveira, presidente do CRPRS, apresentou a agenda de atividades organizadas pelo Conselho pelo Dia da/o Psicóloga/o em todo o estado, refletindo o enfoque dessa gestão nas ações de descentralização. A agenda está divulgada em crprs.org.br/fazadiferenca. Silvana também ressaltou a importância dos 55 anos da Psicologia no Brasil e o papel fundamental do CRPRS em dialogar e construir com a categoria a manutenção de direitos e deveres profissionais.

A conselheira Luciara Gervasio Itaqui, presidente da Comissão de Psicoterapia do CRPRS, reforçou a importância do exercício da Psicoterapia e da função do CRPRS em orientar, fiscalizar e trabalhar pelas/os psicólogas/os, convidando a categoria a participar das atividades promovidas pelo Conselho.

Também compôs a mesa de abertura a presidente da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, Sonia Martins Sebenelo, que fez um resgate histórico da construção e do fortalecimento da profissão no país. Sonia mencionou a ampliação de campos de atuação, o que gerou novas oportunidades de trabalho para as/os psicólogas/os e necessidade de permanente formação. “Os profissionais precisam estar sempre atualizados e entender que na Clínica não há como considerar apenas uma perspectiva individual, é preciso considerar o contexto social e político em que estamos inseridos”.

Ainda durante a abertura, o vídeo da campanha "A Psicologia faz a diferença", que busca valorizar as 12 especialidades da Psicologia, foi apresentado às/aos psicólogas/os e estudantes presentes.

Psicoterapias na atualidade

Na mesa "Psicoterapias na atualidade", Simone da Silva Machado, do Núcleo de Terapias Cognitivas/Porto Alegre (NEAPC), falou sobre diferentes abordagens da Psicoterapia e a importância de se construir entrelaçamentos considerando o espaço terapêutico, a compreensão do tempo histórico e cultural, o conhecimento de pressupostos teóricos e a clareza na utilização de técnicas. "É preciso ampliar reflexões e compartilhar saberes e experiências", afirmou. Ela considera necessário pensar a Psicoterapia de quem, para quem, com quem e como. O fortalecimento da díade psicoterapeuta e paciente também foi citado por Simone como algo essencial para a eficácia e efetividade da Psicoterapia.

Bárbara Conte, membro pleno da Sigmund Freud Associação Psicanalítica, fez uma contextualização da evolução da Psicoterapia, especialmente a psicanálise. Para ela, é preciso encontrar os fundamentos que sustentam a prática psicoterápica, dada em dois pilares, que são: a prática clínica não desvinculada do saber teórico e o saber dos desejos e do inconsciente do paciente. “A teoria dá suporte, sustenta o que vai ser feito juntamente com a ideia do ‘saber de si’, saber do seu inconsciente, saber quem é para intervir no outro e com o outro”. Uma preocupação trazida pela psicóloga é a associação da Psicoterapia com práticas religiosas. Bárbara citou a supervisão como um dos eixos de legitimidade da prática e concluiu que a psicanálise ainda tem que avançar em termos de grupos e políticas públicas.

Sandra Djambolakdjian Torossian, professora do programa de pós-graduação em Psicanálise: Clínica e Cultura da UFRGS, destacou a Psicoterapia na área das políticas públicas. Falou sobre a importância de se pensar essa relação, já que a política pode ser de Estado ou de Governo, e de se exercer o trabalho psicoterápico em ambientes políticos livres. A necessidade de se adaptar teorias a questões brasileiras nas políticas públicas foi também citada por Sandra. "É preciso escutar as pessoas nesses territórios e comunidades e nos perguntar: no que as teorias podem nos ajudar e o que a prática pode nos ensinar?", questiona. A Clínica nas políticas públicas trabalha em um contexto de desigualdade social e de violências, por isso a/o psicóloga/o deve também estar atento a violações de direitos.

A coordenação da mesa “Psicoterapias na atualidade”foi da conselheira Geisa Felippi, integrante da Comissão de Psicoterapia.

Psicoterapia online

A segunda mesa "Psicoterapia online" contou com a participação das psicólogas Maria Adélia Minghelli Pieta e Sílvia Cristina Marceliano Hallberg e foi coordenada pelo conselheiro Cleon Cerezer, vice-presidente do CRPRS, presidente da Comissão de Orientação e Fiscalização e integrante do Grupo de Trabalho Nacional para Revisão da Resolução CFP nº 011/2012. Essa resolução dispõe sobre o uso de ferramentas online no exercício profissional de psicóloga/o.

Maria Adélia Minghelli Pieta, pesquisadora da UFRGS, apresentou diferentes tipos de Psicoterapia online utilizados em outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, desde a década de 90 foi criado o Comitê de Psicoterapia Online que cuida de questões éticas, legais e treinos de terapeutas. Durante sua apresentação, explicou que a Psicoterapia Online pode ser trabalhada com a ajuda de terapeutas, programas computadorizados com apoio de psicoterapeuta e sem o apoio de psicoterapeuta. De acordo com Maria Adélia, estudos apontam fortes evidências de que a relação terapêutica online é similar à presencial. Além disso, a Psicoterapia online mostra-se efetiva principalmente nos casos de depressão, ansiedade, fobia, transtorno do pânico, estresse pós-traumático e transtornos alimentares. "As/os psicólogas/os devem reconhecer o impacto e as limitações da aplicação de testes online e manter a integridade do processo quando resolver aplicar online", finalizou. É preciso também estar atento a eventuais problemas técnicos que surgem com o uso das tecnologias: "a associação livre e o silêncio, por exemplo, são prejudicados quando a conexão de internet é interrompida". Para ela, questões legais e éticas podem ser solucionadas com regulamentação e definições claras.

Sílvia Cristina Marceliano Hallberg, pesquisadora e diretora de pesquisa do Centro de Estudos, Atendimento e Pesquisa da Infância e Adolescência (Ceapia), trouxe para o debate um resgate do comportamento dos terapeutas em relação à evolução tecnológica no Brasil. “Quando o celular se popularizou, os psicólogos ficaram em dúvida se deveriam dar ou não seus números aos pacientes. Hoje, outra dúvida comum é com relação às redes sociais: como se portar, qual a relação do psicólogo com pacientes nas redes”, destacou Sílvia. "O verdadeiro desafio aqui é o quanto estamos preparados para mudanças tecnológicas. A/o psicóloga/o deve ocupar esses espaços também", pontua. Silvia também apresentou os resultados de pesquisa realizada com psicoterapeutas gaúchos sobre a percepção das tecnologias. Para ela, ainda se pesquisa muito pouco no Brasil sobre TICS. "Enquanto nos Estados Unidos essa temática representa 32,5% das pesquisas, no Brasil esse número é de apenas 0,5%".

Gênero e Psicoterapia

A mesa "Gênero e Psicoterapia" foi mediada pela conselheira Priscila Pavan Detoni, presidente da Comissão de Direitos Humanos, e contou com a participação de Paula Sandrine, coordenadora adjunta do Núcleo de Pesquisa em Sexualidade e Relações de Gênero (NUPSEX) da UFRGS, e de Eduardo Lomando, coordenador do Núcleo de Atendimento e Pesquisa em Sexualidade e Gênero no InTCC.

Paula Sandrine falou sobre a relevância histórica dos movimentos sociais em pesquisas e na aplicação da teoria. "Ainda que existam avanços na pesquisa da Psicoterapia, é importante destacar o impacto do movimento feminista e LGBT na Psicologia", destacou. Segundo ela, a Psicologia consolida nos aspectos cognitivos e comportamentais o conceito de identidade de gênero e coloca a questão da sexualidade como central na produção de subjetividade.

Para Eduardo Lomando a Psicoterapia tem um débito com a população LGBT. "Pesquisas mostram que a população LGBT tem cinco vezes mais chances de risco de suicídio, enquanto a população trans registra três vezes mais tentativas de suicídio. Isso é muito preocupante", alerta. Para ele, é de extrema importância discutir a temática LGBT na Psicologia para diminuir as dificuldades da Psicoterapia em atender essa população. "O papel da Psicoterapia é diminuir o sofrimento e promover conhecimento, precisamos ter isso em mente", avalia. Eduardo também destacou a necessidade de a/o profissional trabalhar de modo interdisciplinar.

A conselheira Priscila Pavan Detoni destacou o trabalho que o CRPRS vem realizando na defesa da Resolução CFP nº 001/1999, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual.

Encerrando o evento, a conselheira presidente Silvana de Oliveira retornou ao palco e ressaltou a importância da Psicoterapia como área de atuação da/o psicóloga/o. "A nossa gestão investe nessa área por acreditar em sua potência".

 

A Psicologia faz a diferença

Neste ano, a campanha pelo Dia da/o Psicóloga/o do CRPRS terá o tema "A Psicologia faz a diferença". A ideia é destacar a contribuição da profissão em diferentes áreas, mostrando que a/o psicóloga/o trabalha para ampliar ideias e aproximar pessoas. Acompanhe todas as ações programadas para agosto clicando aqui.   

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