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Educação

07/08/2017




Papel da escola foi tema de debate sobre violência de gênero  

As estatísticas disponíveis, embora escondam uma subnotificação importante, são estarrecedoras: o Brasil, segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), registrou em 2016 uma morte LGBT a cada 25 horas – praticamente um assassinato por dia de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transsexuais no Brasil. A estimativa de vida de uma travesti ou de uma mulher trans no país é de 35 anos, o que nos faz campeões mundiais de transfobia: 54 transsexuais brasileiras foram assassinadas apenas entre janeiro e maio deste ano.

Os dados fizeram parte do seminário “Dialogando sobre sexualidade e gênero na escola”, que reuniu estudantes e profissionais da Psicologia para debater um tema urgente: a violência de gênero. Com a participação do conselheiro Angelo Brandelli Costa e do especialista em Psicologia Clínica Mateus Pavei Luciano, e conduzido pela coordenadora do Núcleo de Educação do CRPRS, Vivien Bock, o seminário reuniu dezenas de interessadas/os no tema e apresentou alternativas de abordagem das/os profissionais na escola.

“Um dos dados disponíveis mais impressionantes relaciona diretamente o baixo desempenho na sala de aula à violência de gênero. Ou seja, a população escolar que não se identifica com a heteronormatividade sofre duas vezes, com as agressões e com a exclusão”, destacou Costa. Para ele, uma das causas responsáveis pela discriminação de gênero é a própria Psicologia, que começou a despatologizar as orientações não-heterossexuais somente no início dos anos de 1970.

Luciano, por sua vez, lembrou que a Resolução CFP 001/1999 determina que as/os psicólogas/os não deverão exercer nenhuma ação de patologização das diferentes orientações sexuais em seu exercício profissional e nem orientar para tratamentos não solicitados. E destacou que a escola é um dos espaços mais emblemáticos para a disseminação do preconceito e da violência.

“Devemos questionar sobre qual gênero de escola que queremos. Os agressores das populações LGBT são pessoas que já passaram ou, pior, ainda estão passando pela escola”, advertiu. Para ele, uma das origens da violência de gênero é a própria educação formal. “Quando todas as crianças puderem brincar com todos os brinquedos, e não houver essa divisão de gênero já na educação infantil, então poderemos evitar muitas posturas agressivas contra a diversidade sexual”, disse.

Os participantes do seminário foram divididos em grupos, depois dos painéis iniciais, e puderam debater situações objetivas observadas nas suas instituições de ensino ou nos seus locais de intervenção. Como uma iniciativa do município de Casca, na região serrana do Rio Grande do Sul, em que uma escola pública realiza encontros mensais entre alunos e professores para debater e vivenciar questões de sexualidade.

Ou sobre a atuação do G8-Generalizando: Direitos Sexuais e de Gênero, do Serviço de Assessoria Jurídica Universitária da UFRGS, que busca a solução de conflitos pela via judicial ou extra-judicial, com a redução de danos ou traumas das vítimas de violência. O grupo é composto por profissionais e estudantes de várias áreas que atuam de forma voluntária.

Os debatedores lembraram que as/os profissionais de Psicologia têm o dever de denunciar casos de violência de gênero e acionar as redes de proteção, quando necessário. “A Psicologia tem muita responsabilidade sobre isso, pois tem uma palavra de credibilidade naqueles grupos mais resistentes à diversidade sexual”, destacou Vivien Bock.

Costa, por sua vez, concordou com a influência da educação nos casos de violência de gênero e mencionou que as estratégias de silenciamento das populações LGBT não foram eficazes, o que tem dado visibilidade ao problema. “Falar sobre esse tema na escola não é um incentivo ao comportamento LGBT e nem um ataque à heteronormatividade, como defendem seus críticos, mas uma garantia de sobrevivência digna das pessoas que optam por outras formas de expressar sua individualidade”, afirmou.   

O seminário integrou a programação do CRPRS alusiva ao Dia da/o Psicóloga/o, comemorado em 27 de agosto. 

A Psicologia faz a diferença

Neste ano, a campanha pelo Dia da/o Psicóloga/o do CRPRS terá o tema "A Psicologia faz a diferença". A ideia é destacar a contribuição da profissão em diferentes áreas, mostrando que a/o psicóloga/o trabalha para ampliar ideias e aproximar pessoas. Acompanhe todas as ações programadas para agosto clicando aqui.   

 

  • Vídeo das palestras do evento

 

  • Vídeo do debate ao final do evento

 

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